A nova onda migratória no Brasil

Fonte: Brasil Econômico

Por Arnaldo Comin 

Um despretensioso passeio no passado domingo pelo Horto Florestal, imensa reserva ambiental na região norte da cidade de São Paulo, mostra como algumas mudanças estão acontecendo mais rápido do que se imagina no Brasil.

Do público que aproveitou um ensolarado dia de sol de inverno para caminhar em contato com a natureza, mais de 70%, seguramente, tinha origem asiática.

Muitos dekasseguis, parte falando japonês, parte com seu inconfundível sotaque paulistano, e uma quantidade equivalente de chineses, comunicando-se sem exceção em sua língua nativa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base no senso de 2010 mostram que os cidadãos autodenominados de cor “amarela” saltaram de 0,5% para mais de 1% da população. Pode parecer pouco em termos relativos, mas eles já representam mais de 2 milhões de pessoas.

O número de pedidos de vistos de trabalho no país aumentou em 20% no primeiro semestre deste ano, em comparação a igual período do ano passado.

Além dos pedidos temporários, cresce o ingresso de profissionais com qualificação de países ricos, aproveitando investimentos feitos por empresas a partir de suas matrizes no país, além das oportunidades que surgem com a crônica escassez de mão de obra especializada em praticamente todas as atividades econômicas.

Desde o pós-guerra, salvo emigrações esporádicas de países sob intensa ditadura, como Portugal e Espanha, até os anos 70, que o Brasil não recebe tantos estrangeiros interessados em trabalhar e viver no país.

A nova onda migratória asiática chega em boa hora e representará um trunfo importante quando os filhos dos chineses de primeira geração, mais escolarizados adaptados à nossa cultura que seus pais, ocuparem papel estratégico na crescente relação bilateral com a China.

Da mesma maneira é bem-vinda – e merece ser estimulada – a contratação de profissionais qualificados dos Estados Unidos, Europa e América Latina.

Com sua tradição de receptor de imigrantes, cabe ao Brasil agir rápido para legitimar e integrar economicamente os imigrantes, sobretudo bolivianos, que, à margem da lei, são vítimas de trabalho escravo e situações de risco.

Além do dever moral de conceder a cidadania e direitos iguais a esses indivíduos, cuja estimativa já chega a 200 mil residentes, é mais barato e produtivo trocar saúde e educação públicas por trabalhadores regularizados, que lançá-los à marginalidade.

O Brasil não tem motivo para coibir a imigração, qualificada ou não. Tratar esse tema sensível com a mentalidade elitista dos europeus é o primeiro passo para fomentar o fundamentalismo xenófobo que ameaça até as liberais democracias escandinavas da Finlândia, Suécia e, para o horror de toda a humanidade, também da Noruega.

Arnaldo Comin – Editor executivo do Brasil Econômico

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