Otan é acusada de negar auxílio a refugiados africanos

Fonte: DW-World

Refugiados enfrentam a morte em barcos sem segurança (Foto: picture alliance/ dpa)

Otan é criticada por não ajudar marinha italiana a salvar sobreviventes de embarcação com centenas de imigrantes da Líbia. Situação é cada vez mais comum no Mediterrâneo.

O governo italiano exige que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) investigue a respeito de uma suposta recusa das forças da aliança militar no Mediterrâneo a resgatar imigrantes que fugiam da Líbia em direção à UE. Dezenas deles teriam morrido de desidratação. A Otan, por sua vez, defende-se afirmando não ter participado do resgate dos refugiados por ter sido informada de que a Itália já estaria realizando os procedimentos necessários.

O governo italiano quer que a Otan redefina sua atuação na Líbia, a fim de que se inclua a proteção e o resgate de barcos com imigrantes como tarefa da aliança militar. A comissária para assuntos internos da União Europeia, Cecilia Malmström, afirmou que todas as embarcações do bloco têm obrigação de oferecer assistência aos barcos que precisam de socorro.

A guarda costeira italiana conseguiu resgatar cerca de 370 pessoas. Um dos médicos que prestaram socorro aos sobreviventes afirmou que o barco usado pelos refugiados para fugir do regime líbio, comandado por Muammar Kadafi, ficou à deriva, em alto-mar, durante seis dias e seis noites, sem água nem comida. Os sobreviventes chegaram à ilha italiana de Lampedusa, localizada no Mediterrâneo, na última quinta-feira (04/08).

Sobreviventes precisaram de atendimento médico (Foto: picture alliance/ dpa)

Mais explicações
De acordo com a mídia italiana, unidades aéreas e navais da Otan estavam informadas sobre a situação do barco, mas não participaram do resgate. Segundo Carmen Romero, porta-voz da aliança militar, o comando marítimo da Otan havia sido informado sobre o pedido de socorro de um barco, mas “as autoridades italianas confirmaram que atenderiam ao chamado” com três barcos e um helicóptero para suporte. “Fatos sobre o incidente ainda estão aparecendo e estamos trabalhando junto às autoridades italianas para esclarecer o episódio”, afirmou Romero.

Em maio deste ano, a Otan negou a informação de que não teria ajudado no resgate de um outro barco com refugiados vindos da Líbia, que enfrentou vários problemas durante a viagem, o que levou à morte 62 pessoas vítimas de fome e sede.

A Organização Internacional para Imigração afirmou que os imigrantes africanos que morreram nesta semana aparentemente não resistiram à desidratação e às dificuldades enfrentadas a bordo. Seus corpos foram jogados para o lado de fora do barco, de acordo com o depoimento de sobreviventes.

Ilha de Lampedusa: destino comum de refugiados africanos (Foto: dapd)

Ampliar ajuda
Lampedusa é um destino comum de refugiados na região. A Otan tem sido duramente criticada por não participar devidamente da ajuda a barcos lotados de adultos e crianças que tentam escapar do regime líbio. Centenas de pessoas já morreram afogados ou por conta da falta de segurança nos barcos, em fugas desesperadas. Na última segunda-feira (01/08), 25 refugiados morreram sufocados na sala de máquinas de uma embarcação interceptada pela guarda costeira italiana.

Malmström salientou que a União Europeia e outros países vizinhos precisam “cumprir com suas responsabilidades”, garantindo um desembarque seguro a refugiados. “A maior rapidez de um programa, extenso a toda a UE, de acolhimento e admissão de refugiados, demonstraria o comprometimento necessário com a solidariedade e com o compartilhamento de responsabilidades, o que ajudaria a reduzir o número de pessoas que colocam em risco suas vidas para alcançar a costa europeia”, concluiu a comissária.

MS/afp/rts
Revisão: Soraia Vilela

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