Entenda a maior e mais severa crise de insegurança alimentar dos últimos 20 anos

Fonte: ONU Brasil

As Nações Unidas declararam uma epidemia de fome nas regiões de Bakool do Sul e Baixa Shabelle, no sul da Somália, em 20 de julho. Duas semanas depois, mais três regiões já haviam sido afetadas: Shabelle Central, Corredor de Afgoye e a capital, Mogadíscio. Outras áreas do país podem ser atingidas pela crise nos próximos dois meses se não houver uma ampla intervenção humanitária. Para isto, são necessários 2,481 bilhões de dólares e, até o momento, os doadores disponibilizaram 1,034 bilhão. Dezenas de milhares de pessoas morreram e mais vidas estão em risco. Quase metade da população – 3,7 milhões de pessoas – precisa de assistência humanitária. Isto representa um aumento de 35% desde o início do ano, quando havia 2,4 milhões de necessitados.

A pior seca dos últimos 60 anos agrava o sofrimento de um povo atingido também por conflitos. Os preços dos cereais alcançaram o nível mais elevado da história e algumas commodities subiram até 270%. No sul do país, o custo da cesta básica aumentou 50%. Cerca de 12,4 milhões de pessoas carecem de ajuda em todo o Chifre da África e este número pode aumentar 25% em três ou quatro meses. Djibuti e Quênia também estão entre os países atingidos. Apesar de o maior número de necessitados estar na Etiópia – 4,7 milhões – a situação é especialmente difícil na Somália.

As Nações Unidas declaram epidemia de fome quando pelo menos 20% das famílias enfrentam escassez extrema de alimentos com limitada capacidade de reverter o quadro, as taxas de desnutrição aguda entre as crianças excedem 30% e mais de duas em 10 mil crianças morrem por dia. No sul da Somália, há 2,8 milhões de desnutridos, dos quais 1,25 milhão são crianças. Em áreas agropastoris, até 20 a cada 10 mil crianças com menos de 5 anos morrem diariamente e o índice de desnutrição infantil aguda chega a 50%.

Cresce o número de deslocados e refugiados
A Somália tem aproximadamente 1,875 milhão de deslocados internos e refugiados. Nos últimos dois meses, mais de 100 mil chegaram à Mogadíscio em busca de assistência. Apesar dos conflitos armados que assolam a região, já há 470 mil pessoas em cem acampamentos que surgiram espontaneamente. Cerca de 800 mil pessoas fugiram para Quênia (423 mil), Iêmen (188 mil) e Etiópia (140 mil), além de Djibuti, Egito, Eritréia, Tanzânia e Uganda.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o influxo de refugiados somalis na Etiópia e no Quênia continua. Diariamente, cerca de 2,3 mil pessoas chegam exaustas aos acampamentos.

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