Perseguição de africanos subsaarianos na Líbia preocupa ACNUR

Fonte: ACNUR Brasil

Imagens da BBC de um grupo de africanos de países subsaarianos sendo detidos em Trípoli (Foto: BBC)

O Alto Comissário para Refugiados, António Guterres, fez um forte apelo para que africanos subsaarianos sejam protegidos na Líbia, já que relatos apontam que pessoas estão sendo perseguidas em Trípoli devido à sua cor.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) falou pelo telefone na última sexta-feira com Ahmed, um somali que tem vivido em Trípoli como professor universitário desde 2007. Ele permaneceu na cidade desde o início dos violentos protestos anti-governo em fevereiro, que acabaram levando o regime de Muammar Gaddafi e as forças rebeldes à guerra.

Ahmed disse que não sofreu ameaças diretas. Mas agora que os rebeldes tomaram a cidade, ele deseja partir. Na medida em que a maioria dos bairros em Trípoli caiu nas mãos dos rebeldes no começo da semana passada, africanos subsaarianos como Ahmed voltaram a ser alvejados.

Segundo Ahmed, “Se eles virem que você é africano, que você é negro, você se tornará um alvo”. Ele disse ainda que os residentes locais, muitos dos quais estão armados, estão construindo barreiras nas ruas.  “A situação está muito difícil aqui”, disse ao ACNUR. “Você não pode deixar sua casa nem para buscar água”.

Consequentemente, ele e outros somalis estão ficando sem suprimentos vitais. Um grupo de somalis foi atacado enquanto tentava sair de seu apartamento em outra parte da cidade, deixando uma pessoa ferida. “É realmente muito desesperador”.

Africanos subsaarianos, especialmente os provenientes de Níger, Chade e Sudão, foram alvejados pelos dois lados do conflito depois que veio à tona a informação de que alguns africanos subsaarianos trabalharam como mercenários para o regime de Gaddafi. Muitos migrantes fugiram para os vizinhos Egito e Tunísia, mas centenas de outros permaneceram na Líbia.

Eles estão presos na capital, já que, novamente, as pessoas negras estão sendo acusadas de colaborar com o ditador. “Eles dizem que qualquer pessoa negra está contra eles”, disse Ahmed, que tem família nos Estados Unidos e um visto esperando por ele na Tunísia – se ele conseguir chegar lá com segurança.

O Alto Comissário pediu contenção às forças rebeldes e aos civis. “Vimos anteriormente que estas pessoas, principalmente os africanos, podem ser especialmente vulneráveis a hostilidades ou atos de vingança”, afirmou.

“É crucial que o direito humanitário prevaleça nestes momentos de crise e que estrangeiros – incluindo refugiados e trabalhadores imigrantes – sejam completamente protegidos de danos”, ressaltou.

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