Número de refugiados no Amazonas cresceu 76,6% de janeiro a setembro de 2011

Fonte: D24am

Por Annyelle Bezerra

 

É toda a pessoa vítima de perseguição devido à sua raça, religião e nacionalidade. (Foto: Arlesson Sicsú)

 

Os colombianos, com 23 registros de pedido de refúgio só em Manaus, são os que mais migram para o Estado, seguidos dos bengalêses e dos cubanos e haitianos.

O número de refugiados que ultrapassaram a fronteira do Amazonas nos nove primeiros meses do ano, já corresponde a 76,6% do registrado em todo ano passado, quando 483 refugiados adentraram o Estado. De acordo com a Delegacia de Polícia de Migração da Polícia Federal (Delemig), 370 estrangeiros entraram no País pelo Amazonas, até a última terça-feira, 13.

Os colombianos, com 23 registros de pedido de refúgio só na capital, são os que mais migram para o Amazonas, seguidos dos bengalêses, com quatro solicitações, e dos cubanos e haitianos com três casos cada, de acordo com o delegado chefe da Delemig, Victor Soares.

Em Manaus, de janeiro até agora, 40 estrangeiros deram entrada em pedidos de refúgio, o equivalente a 148% dos 27 registrados em todo o ano de 2010. Em Tabatinga, os 330 pedidos registrados já chegam a 72,3% dos 456 feitos em todo o ano passado.

Perseguição política, religiosa e racial, além da busca por trabalho e melhores condições de vida, são os principais motivos que levam os estrangeiros a cruzar a tríplice fronteira e buscar refúgio no Brasil.

Os pedidos de refúgio, realizados nos postos da Polícia Federal localizados em Manaus, Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira, acontecem assim que o indivíduo chega ao Brasil e levam, em média, 90 dias para serem avaliados em Brasília.

“A Polícia Federal não decide o refúgio, ela instrui o processo e a decisão cabe ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare)”, informou o delegado.

Conforme as hipóteses legais brasileiras, enquanto o Conare não julga o processo, os estrangeiros estão blindados no País, sendo proibida sua expulsão do território nacional ou devolução ao país de origem.

Segundo o escritório da Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), na Amazônia, diferente do que acontecia até o ano passado, quando homens solteiros, com faixa etária entre 20 e 40 anos eram maioria entre os refugiados no Estado, o número de famílias e mulheres com filhos que chegam tem crescido nos últimos meses.

A colombiana e administradora de empresas, Angélica Maria, 36, sabe bem o que é abandonar seu país de origem e buscar refúgio em outro território. Vivendo há nove meses no Amazonas, Angélica, sempre bem humorada, conta que decidiu vir para o Brasil com os três filhos, após ver pessoas inocentes serem mortas pelos paramilitares. “Ficou muito perigoso viver lá. Eles estavam matando muita gente”, contou.

A família, composta por ela e os filhos de 17, 13 e sete anos de idade, entrou no Brasil por Tabatinga e solicitou refúgio no município antes de vir para a capital. “Em três dias e meio estávamos em Manaus e a Cáritas  nos encaminhou para um abrigo onde ficamos por dois meses”, afirmou.

Hoje, Angélica deixou para trás o abrigo e a venda de alimentos pelas ruas de Manaus, para morar em uma casa alugada com os filhos e trabalhar como massagista e professora de espanhol para sustentar a família. “Estou tentando montar um salão de massagens, mas não tenho uma maca onde os clientes possam deitar. Quem puder me doar uma é só ligar para a Cáritas Manaus no 3212-9030”, disse.

Dificuldades
Mesmo sem o traçado da rota adotada pelos refugiados, o chefe da Delemig, Victor Soares, afirma que Tabatinga, em função da tríplice fronteira (Brasil, Peru e Colômbia), composta na maior parte por rios e lagos, é a principal porta de entrada utilizada pelos estrangeiros para chegarem ao Amazonas.

“Se os Estados Unidos que, têm 100% de fronteira seca com o México e contam com todos os recursos necessários, não conseguem conter o movimento migratório, imagina o Brasil que precisa lidar com a selva, os rios e a tríplice fronteira”, disse.

Segundo ele, o número de refugiados que entram no Amazonas todos os anos também já preocupa as esferas nacionais, uma vez que, após a solicitação de refúgio, nada mais pode ser feito para reverter a situação.

Atualmente, apenas 35 policias federais atuam na contenção do movimento migratório na tríplice fronteira, além de coibir a entrada de drogas provenientes do Peru, Colômbia e Venezuela, no Amazonas.

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