Africanos que vivem no Rio mostram a sua arte em exposição sobre refugiados

Fonte: O Globo

Por Ediane Merola

Refugiados que moram no Rio de Janeiro vão expor quadros na mostra que comemora os 60 anos da ACNUR, no Brasil. Na foto, José Barros Tambo (Foto: Carlos Ivan / Agência O Globo) Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/09/2

Os africanos José Tambo e Fabricio Dom chegaram ao Rio há alguns anos, por caminhos diferentes, mas acabaram desenhando destinos parecidos, graças às artes plásticas. Donos de traços diferenciados, eles estão entre os cinco artistas refugidos que vão exibir suas telas na mostra “Arte e refúgio no Brasil”, em Brasília, entre 10 e 30 de outubro. A exposição faz parte do calendário do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que este ano comemora o 60 aniversário da Convenção sobre o Estatuto do Refugiado, o cinquentenário da Convenção sobre Redução de Apatridia e os 150 anos de nascimento do norueguês Fridtjof Nansen, primeiro Alto Comissário para Refugiados da Liga das Nações e Prêmio Nobel da Paz.

No Rio há 22 anos, o angolano Tambo vê na exposição a chance de mostrar aos refugidos que é possível mudar os contornos de uma história. Filho de produtores rurais da província de Uige, na década de 70 ele viu a família enfrentar dificuldades devido a conflitos regionais. Os pais decidiram mandá-lo para a capital Luanda, onde cursou três anos do Liceu de Artes, até ser convocado pelo exército para lutar contra os rebeldes.

Artistas mostram suas obras em galerias e na internet
Como já era um artista promissor, foi liberado e expôs em países da África, na Rússia e em Cuba. Em 1989, veio para o Brasil como refugiado. Mas até suas telas ganharem o colorido que exibem atualmente, Tambo enfrentou a falta de dinheiro e, para sobreviver, foi pedreiro, caseiro e vigia:

– Comecei do zero, pintava nas horas vagas. A arte ajudou a me integrar. Hoje é um privilégio mostrar um pouco da cultura, das lendas, da religião, do povo da Angola nas minhas telas – diz Tambo, de 48 anos, que pinta quadros figurativos com tendência abstrata e, em Brasília, vai apresentar duas telas, retratando lavadeiras africanas e refugiados.

Refugiados que moram no Rio de Janeiro vão expor quadros na mostra que comemora os 60 anos da ACNUR, no Brasil. Na foto, Fabrício Dom (Foto: Carlos Ivan / Agência O Globo)

As telas de Tambo, que tem clientes em vários estados brasileiros, estão na Mib Galeria de Arte, em Copacabana. Fabrico expõe suas telas na Gávea e também na internet ( domcriarte.blogspot.com ). Há oito anos no Brasil, ele saiu de Johannesburgo em busca de informações de parentes no Brasil e acabou ficando:

– Aos 11 anos, conheci garotos de rua que pintavam muros. Dali fui para a Downtown Wood, uma escola para meninos carentes, onde aprendi teatro, artes plásticas. Em 1998 decidi que seria artista, mas reconheço que é difícil ganhar a vida só com as telas – diz Fabricio, de 26 anos, que também é estilista e modelo.

Adepto de vários estilos, como cubismo, abstrato, realismo e surrealismo, Fabricio também faz retratos e paisagens. Na exposição vai mostrar o quadro cubista “Acolhimento”, sobre a chegada de refugiados ao Brasil, e “Emigração”, uma tela realista que mostra o povo fugindo da guerra.

A mostra ficará no Átrio dos Vitrais da Caixa Econômica.

Uma resposta para Africanos que vivem no Rio mostram a sua arte em exposição sobre refugiados

  1. Anísio J Santos disse:

    Belas telas desse José Barros Tambo, incrivel essa que esta ao fundo, parabens ao artista, a ACNUR e ao GLOBO pela cobertura.
    Nota dez ao fotografo e Jornalista.

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