Nos EUA, refugiados buscam renda e lembranças na agricultura

Fonte: Último Segundo

Por Patricia Leigh Brown

Refugiada da Libéria vende vegetais em feira de City Heights, em San Diego, Califórnia (Foto: NYT)

Movimento empresarial que se espalha pelo país oferece oportunidade para imigrantes no setor agrícola

Na feira livre de sábado em City Heights, um grande centro de refugiados em San Diego, na Califórnia, a somali Khadija Musame organizava suas folhas de abóbora recém-colhidas em meio a diversos outros produtos, incluindo o espinafre plantado por um refugiado cambojano e o amaranto, um grão colhido por Sarah Salie, que fugiu de rebeldes na Libéria.

A New Roots (Novas Raízes, em tradução literal) é uma fazenda comunitária com 85 produtores de 12 países e uma das mais de 50 dedicadas à agricultura de refugiados, um movimento empresarial que se espalhou por todo o país.

Com obstáculos como a língua e a cultura, além da necessidade de acesso ao financiamento agrícola e marketing, a propriedade agrícola para refugiados pode ser algo muito difícil.

Programas como o da New Roots “ajudam os refugiados a fazer o salto de hortas comunitárias para fazendas independentes”, disse Hugh Joseph, um professor assistente na Escola Friedman de Nutrição da Universidade Tufts, que assessora 28 fazendas “incubadoras” que representam centenas de pequenos produtores.

O escritório da Refugee Resettlement (Reassentamento de Refugiados, em tradução literal), em Washington, criou um programa de agricultura sustentável em 1998, financiando 14 fazendas de refugiados, incluindo uma em Boise, Idaho, onde agricultores africanos subsaarianos têm gradualmente aprendido a lidar com geadas imprevisíveis.

A New Roots, que recebeu uma vista da primeira-dama Michelle Obama, é considerada um modelo de microempresa. Ela foi criada a pedido da comunidade somali bantu, disse Bilali Muya, seu efervescente instrutor.

“Havia uma espécie de depressão”, disse ele. “Todo mundo sonhava em vir para os Estados Unidos, mas ninguém era feliz aqui. As pessoas eram colocadas em apartamentos onde faltavam atividades em comunidade. Todos estavam entediados”.

Por trás dos frutos e vegetais cultivados com amor e colocados à venda em City Heights estão as experiências de vida dos produtores. Muya disse que na Somália seu pai foi torturado e seus gritos ecoaram por toda a aldeia onde moravam. Ao tentar ajudar, seu avô foi agredido com a coronha de um rifle. Muitas horas depois, disse Muya, os moradores ainda tiveram que ouvir: “Venham pegar o seu cão”.

Visoth Kim, um refugiado de 63 anos o Khmer do Camboja, trabalha numa fazenda em Dracut, Massachusetts, de propriedade da viúva de John Ogonowski, piloto de um dos aviões que colidiu contra o World Trade Center em 11 de setembro de 2001.
Ogonowski, cujos ancestrais eram imigrantes poloneses, disponibilizou a terra para hmongs e outros refugiados cambojanos, ensinando-lhes técnicas de irrigação modernas em troca de legumes frescos.

Seu companheiro agricultor Sinikiwe Makarutsa cresceu no Zimbábue e agora cultiva milho em terras arrendadas de uma igreja local. Makarutsa usa uma palavra de sua língua para descrever seu lote de 7 acres: “pamuzinda”.

Segundo ela, significa: “onde você pertence”.


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