A injusta aversão da Europa aos refugiados africanos

Fonte: Jornal do Comércio

Desde o século XVII, países europeus colonizaram nações na África e Oriente que viviam à sua maneira. Em busca de ouro, marfim, pedras preciosas, especiarias e trabalho escravo infelicitaram milhões de pessoas. Foram negros, árabes, chineses, indo-chineses e hindus. França e Reino Unido estiveram à frente, mas foi uma corrida geral para abocanhar um naco do que outras nações tinham para ser tomado. As riquezas da Europa, em boa parte, vieram com a miséria de africanos e asiáticos e, em alguma parte, da América Latina. Agora é a Europa que está em crise e dá as costas aos refugiados que fogem de regimes até bem pouco tempo incensados por Londres, Paris, Madri, Berlim, Portugal e Bruxelas. O Ocidente jamais deixou de fazer o que bem entendia quando o interesse comercial falava mais alto, fosse em que parte do mundo ele estivesse. Quem pode tenta atravessar o Mediterrâneo para chegar ao Velho Mundo, mas encontra resistência militar e ojeriza.

Os que colocam os pés naquilo que julgam a terra prometida enfrentam o desprezo e países que os renegam, eis que eles próprios passam por dificuldades, com desemprego em massa. Os negros e árabes que um dia foram fiéis servidores dos senhores no Cairo, na Índia, em Angola, no Congo Belga, na Etiópia, na Abissínia, na Argélia e Moçambique não interessam mais. São um estorvo, uma sub-raça desprezível que chegava para cuidar de carros, limpar banheiros e varrer sarjetas. São mandados de volta ou ficam em acampamentos sem qualquer perspectiva. O geralmente comedido governo britânico entrou na onda e cortará a imigração dos atuais 196 mil estrangeiros o país recebe a cada ano para 100 mil novos imigrantes anuais até 2015, informou o primeiro-ministro David Cameron. Segundo Cameron, provas sobre a cultura e as tradições britânicas serão um teste para os candidatos a imigrantes. Precisarão tirar nota alta em história da Grã-Bretanha e também em inglês para obter os direitos plenos da cidadania acessíveis aos britânicos natos.

O primeiro-ministro disse que os serviços sociais da Grã-Bretanha estão ficando sobrecarregados com a chegada constante de novos imigrantes. Os senhores do passado não se interessam mais por eles. Usufruíram o quanto puderam dos negros africanos e dos árabes e asiáticos pobres. Hoje a Europa os detesta, proibindo que entrem no continente para não incomodarem. Os europeus dão lições de moral, de civilização e de direitos humanos justamente àqueles que sofreram invasões e colonizações sangrentas, como a Argélia por parte da França. Não venham “infectar” as capitais maravilhosas da Europa com suas vestes malcheirosas e figuras que destoam da paisagem das ruas de Paris, Londres, Berlim, Bruxelas e Madri. É uma injusta aversão dos europeus àqueles que os sustentaram e permitiram que vivessem em riqueza por tanto tempo. Não que devam ser a palmatória do mundo. Mas, em nome da civilização ocidental, branca e cristã que um dia impuseram a tantos, pelo menos tenham compaixão dos que lhes serviram de suporte ao progresso e ao bem-estar. Afinal, em um mundo em que tudo é mutável por essência e natureza, os que sofrem devem esperar e os que gozam, recear.

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