Homens que estavam presos em aeroporto de SP conseguem refúgio

Fonte: G1

Rapazes do Butão foram admitidos até que sejam identificados oficialmente. Até lá, os dois ficam na Casa do Migrante, junto com outros estrangeiros.

Depois de duas semanas morando no aeroporto de Guarulhos, sem poder entrar nem sair do Brasil, os dois homens que vieram do Butão, um pequeno país da Ásia, finalmente conseguiram refúgio.

Com a voz fraca depois de quase um mês dormindo pouco e quase sem comida, Ganesh Raj diz que quer viver no Brasil porque o país é seguro, não tem guerra. O homem e o sobrinho, Bishwas Raj, são do Butão, um pequeno país asiático entre a China e a Índia.

Nos últimos 20 anos, viviam como refugiados no Nepal. Bishwas, que tem 21 anos, conta que saíram do país para fugir da perseguição étnica. Iam para os Estados Unidos, mas, no aeroporto de Guarulhos, um guia pegou dinheiro e documentos. Eles esperaram por cinco dias.

O guia não apareceu mais e os dois se apresentaram à imigração. Sem passaporte, não podiam entrar no Brasil. Sem passagens, não conseguiam voltar. Ficaram mais 20 dias no conector, um setor de transferência para passageiros em trânsito.

No cinema, o ator Tom Hanks viveu o papel de um estrangeiro na mesma situação em um aeroporto dos Estados Unidos. O personagem podia circular dentro do aeroporto, mas não podia sair, o que provocou episódios engraçados.

A história de Bishwas e Ganesh não teve graça. Eles dormiram no chão, sentiram frio e fome. Dizem que chegaram a ficar cinco ou seis dias sem comer. O Jornal da Globo mostrou o drama dos dois na segunda-feira (10), e o perigo que a presença de estrangeiros sem identificação representa para o aeroporto. “A legislação permite que esse procedimento exista até hoje”, afirma o delegado Antonio Wagner Castilho, da Polícia Federal.

Durante um depoimento tomado pela Polícia Federal, os butaneses pediram refúgio no Brasil e finalmente conseguiram sair do aeroporto. Os homens foram admitidos temporariamente até que o Conselho Nacional para Refugiados consiga identificá-los oficialmente e decida sobre a permanência deles no país.

Até lá, os dois ficam na Casa do Migrante, uma ação social da Igreja Católica que recebe pessoas que chegam a São Paulo. “Para não cair na rua, nós acabamos acolhendo e dando toda a assistência, desde a jurídica, até a social e psicológica”, afirma Carla Aguilar, coordenadora da Casa do Migrante.

Agora, a Casa do Migrante está em contato com a Cáritas, o órgão responsável por ajudá-los a regularizar a situação de refugiados no Brasil. Esse processo costuma levar de seis a oito meses. Enquanto isso, os refugiados continuam na casa, junto com vários outros estrangeiros, na mesma situação.

Os quartos têm capacidade para 105 pessoas, mas estão com 116 hóspedes. Apenas oito deles são brasileiros. Em 2002, 25% das vagas eram preenchidas por estrangeiros. Em 2011, são 84% de cidadãos de outros países.

Segundo a Cáritas, São Paulo tem hoje 2.052 estrangeiros, de 75 nacionalidades, que pediram ou já conseguiram refúgio no país. São homens, mulheres e crianças que, como Ganesh e Bishwas, olham para o Brasil e sonham em viver em paz, trabalhar e ter um futuro melhor.

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