‘Low Life’ aborda imigração ilegal na Europa

Fonte: Veja

Low Life, de Nicholas Klotz e Elizabeth Perceval, na 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Divulgação)

Tendo como fio condutor um triângulo amoroso entre dois franceses e um afegão, filme retrata dilemas europeus recentes

O francês Nicolas Klotz é um diretor empenhado na sua ideologia. Em A Questão Humana, seu filme mais conhecido no Brasil, tratou de nazismo, traçando uma linha muito tênue de analogia com os dilemas de executivos de uma empresa alemã contemporânea. Em Low Life, um dos destaques da 35º Mostra de Cinema Internacional de São Paulo, Klotz põe novamente o cinema a serviço de suas ideias e de como enxerga o mundo, debruçado agora sobre a questão da imigração na Europa. O filme tem co-direção de Elisabeth Perceval.

Para tanto, ele conta a história de Charles (Luc Chessel) e Carmen (Camile Rutherford), um casal que se envolveu amorosamente em um passado recente, e vive em comunidade, com um grupo de outros jovens idealistas. Personagens que não raro podem ser encontrados nas páginas dos jornais que noticiam os recentes distúrbios em países europeus por questões políticas e econômicas.

Generosos, mas inexperientes, dispostos, mas imaturos, os convivas da tal comunidade dividem-se entre discussões políticas, festas, affaires e ativismo. A agenda política, quase como metáfora da vida deles, tem foco incerto. É durante um protesto contra a ação da polícia para deter imigrantes ilegais que ocupam um prédio que Charles e Carmen conhecem Hussain (Arash Naimian), um poeta afegão que estuda sem permissão no país.

A empatia entre Carmen e Hussain é imediata. E implica em tantos problemas quanto o tamanho do desejo que toma os dois de assalto. Primeiro o risco permanente de deportação do afegão, que acarretaria o fim do relacionamento; depois, ter de lidar com Charles, para quem o envolvimento com Carmen é um caso mal resolvido, que lhe obriga, a um custo alto, se manter próximo dos dois.

Com uma narrativa arrastada, Klotz traz para o primeiro plano um triângulo amoroso, mas interessante mesmo é perceber o pano de fundo, as motivações da geração que logo mais assumirá o controle do país e, hoje, não sabe como lidar com responsabilidades nem tem um projeto político definido. Além de abordar os dilemas dos imigrantes ilegais, que na maioria das vezes despertam preconceito e xenofobia. Claro, quando não encontram alguém que os acolham politica e emocionalmente, como Carmen a Hussain.

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