Liga Árabe estabelece sanções contra Síria

Fonte: AFP

Manifestantes pró-reforma protestam do lado de fora de escritórios da Liga Árabe no Cairo (Foto: Mahmud Hams/ AFP)

A Liga Árabe estabeleceu neste sábado uma série de sanções contra a Síria, determinando especialmente um congelamento das contas do governo sírio no exterior e a proibição de viagens de dirigentes sírios aos países árabes, em um dia em que a repressão deixou 16 mortos.

O projeto de resolução, aprovado pelos ministros das Finanças da Liga Árabe reunidos no Cairo, estipula “o congelamento das contas bancárias do governo sírio” nos países árabes, a suspensão das “transações financeiras” com Damasco e o bloqueio de “todas as transações com o Banco Central” sírio.

A decisão prevê ainda o “congelamento de todas as transações comerciais de governo para governo, exceto as de produtos essenciais para a população síria”.

A lista de sanções também inclui a suspensão de voos procedentes e para o território sírio a partir de países da Liga Árabe, e recomenda a suspensão dos projetos e investimentos na Síria.

As medidas serão apresentadas neste domingo aos chanceleres do grupo, no Cairo, para sua aprovação final.

A medida é adotada após o regime sírio ignorar o ultimato da Liga Árabe para acabar com a repressão no país, que segundo as Nações Unidas já deixou mais de 3.500 mortos desde março passado.

Segundo fontes da Liga Árabe, os ministros das Finanças discutiram a forma de enviar ajuda humanitária à Síria para minimizar o impacto das sanções “nas camadas mais vulneráveis da população”.

As sanções dos países árabes provocarão “uma degradação das condições de vida, uma alta do preço do combustível e dos produtos alimentícios e o agravamento do desemprego e da pobreza”, segundo estas fontes.

A economia síria já está sob sanções europeias e americanas e medidas semelhantes da Liga Árabe podem asfixiar o país, cuja metade de suas exportações e um quarto de suas importações são feitas com seus vizinhos árabes.

O ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Mualem, acusou hoje a Liga Árabe de querer “internacionalizar” a crise, ao reagir à outra decisão do grupo, a de pedir à ONU que “tome as medidas necessárias para apoiar seus esforços em busca de uma solução para a crise”.

Segundo Mualem, esta decisão da Liga Árabe “pode ser vista como um sinal verde à internacionalização da situação na Síria e uma intromissão nos assuntos internos”.

A repressão contra a revolta popular iniciada em março continua na Síria, onde 16 civis, entre os quais duas crianças, morreram neste sábado, principalmente na província de Homs (centro), segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Por outro lado, oito soldados do Exército regular morreram na região de Idleb (noroeste) em um ataque armado reivindicado pelo Exército Livre Sírio (ELS), que contaria com cerca de 20.000 militares dissidentes e cujo chefe, o coronel Riad al Assad, está na Turquia.

Desde quinta-feira, as tropas regulares sírias sofreram 47 baixas em ataques de militares dissidentes, segundo o OSDH e a agência oficial Sana.

As atividades do Exército Livre Sírio aumentaram nas últimas semanas. Na sexta-feira, milhares de sírios protestaram para apoiar os militares dissidentes e pedir ao ELS que proteja “a revolução pacífica”.

 

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