Refugiados afegãos trabalhando em minas no Paquistão sonham com futuro melhor

Fonte: ACNUR Brasil

Abdul Hadi, com turbante verde, sentado com seus colegas mineiros durante uma pausa em uma mina de cromo na província de Baluchistão, no Paquistão. (Foto: D. A. Khan/ ACNUR)

Quando criança, Abdul Hadi, um refugiado afegão de 38 anos, sonhava em ser médico e se imaginava usando um jaleco branco e caminhando pelos corredores de um hospital.

Debruçado em uma mina escura e apertada, Hadi continua acreditando em um futuro melhor, mas aquelas aspirações serão realizadas com seus filhos. Trabalhando a 200 metros abaixo da terra em uma antiga mina na província de Baluchistão, no Paquistão, Abdul procura por cromo, um minério utilizado na produção de aço.

A mina, próxima à vila de refugiados de Malgagai, tem sido o local de trabalho de Hadi desde que abandonou a escola aos 17 anos depois que seu pai ficou doente e já não podia manter a casa. “Eu procurei trabalho quando saí da escola, mas a única opção disponível era trabalhar nas minas”, recorda.

Nativo da província de Zabul no Afeganistão, Hadi trabalha com outros 50 mineiros, sendo a maior parte deles refugiados. Um típico dia de trabalho envolve escalar, descer escadas, carregar objetos pesados e permanecer de pé por horas.

Apesar das dificuldades do trabalho, ele não se queixa. O emprego é regular e paga melhor do que muitos outros, diz Hadi. Ele tem a possibilidade de manter sua família e agora espera que seu filho de 14 anos estude medicina. Ele matriculou o garoto na escola de uma cidade próxima onde estuda com outras crianças paquistanesas. Os filhos mais novos estão estudando em uma escola apoiada pelo ACNUR na própria vila de refugiados.

“Meu trabalho é difícil. Ser um mineiro não é o trabalho dos sonhos de ninguém”, reconhece. “Mas se me permite dar um melhor futuro para a minha família, então vale a pena”.

Ele tinha seis anos quando sua família fugiu do Afeganistão logo após o país ser invadido pela ex-União Soviética, em 1979, e tem vivido em um campo de refugiados desde então. Cerca de 80% dos homens vivendo nesta vila trabalham como mineiros. Grande parte trabalha nas minas de cromo, enquanto outros viajam para distantes minas de carvão.

O trabalho é perigoso e os homens são expostos a vários riscos, incluindo desmoronamento, incêndio e vazamento de gases tóxicos. De acordo com Hadi, devido a essas ameaças em comum, a pequena comunidade de refugiados mineiros se considera uma pequena família e o clima entre eles é bastante alegre.

Haji Baqi, um paquistanês proprietário de uma mina e também chefe de Hadi, estima que “aproximadamente 45 a 50%” de todos os mineiros em Baluchistão sejam refugiados afegãos.

“Tenho dezenas de funcionários afegãos trabalhando também em minhas plantações”, disse. “Eles são pessoas talentosas e contribuem bastante para nossos empreendimentos porque trabalham duro e são honestos”, adicionou.

Os mineiros recebem salários diferentes dependendo da natureza do trabalho. Mineiros como Hadi, que escavam, perfuram e transportam o minério até o ponto de carregamento recebem 10 mil rúpias por mês (cerca de U$ 113). Os mais jovens e inexperientes recebem cerca de U$ 50 por mês para trazer os burros carregados de minérios até a superfície.

Fazendo uma pausa com seus colegas mineiros em um canto pouco iluminado da mina, Hadi contempla o futuro e anseia por um trabalho que exija menor esforço físico. “Se o salário fosse suficiente, eu gostaria ser um guarda. Mas sou grato a Alá por me dar a força necessária para trabalhar e cuidar da minha família”, disse.

Mais de 30 anos após a chegada da primeira onda de afegãos ao Paquistão, o país continua abrigando generosamente 1.7 milhões de refugiados. Mais de cinco milhões de afegãos retornaram a suas casas desde 2002, grande parte com o apoio do ACNUR. A província de Baluchistão acolhe a segunda maior população de refugiados do país, sendo que a maioria provém da instável região sul do Afeganistão.

Por Duniya Aslam Khan, na vila de refugiados de Malgagai, Baluchistão, Paquistão

 

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