Governo federal vai emitir três mil vistos a haitianos para conter a imigração ilegal pela Amazônia

Fonte: A Crítica

Mais de três mil haitianos já estão refugiados no Brasil (Foto: Márcio Silva)

Ministério da Justiça revelou que traficantes cobram até U$ 5 mil para promover a entrada ilegal no Amazonas, que está se tornando rota dos imigrantes ilegais

Mais do que rota do tráfico internacional de armas e drogas, a Amazônia pode se transformar na porta de entrada dos imigrantes ilegais no Brasil, de haitianos a indonésios, afegãos e até mauritanos. Foi o que afirmou o secretário executivo do Ministério da Justiça, Luís Paulo Barreto, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Para tentar conter a imigração ilegal, sobretudo de haitianos, o governo federal deve legalizar a situação de mais de três mil imigrantes haitianos que chegaram ao Brasil nos últimos meses, concedendo vistos humanitários permanentes – serão mil só este mês, garantiu. “Por dia, são cerca de 50 haitianos que chegam ao Brasil por Tabatinga”, afirmou Barreto.

Segundo estimativas de voluntários e instituições que vem apoiando os haitianos que chegam ao Brasil pelo Amazonas, atualmente existem cerca de dois mil haitianos em Manaus e outros 800 aguardam a liberação de vistos pela Polícia Federal (PF), em Tabatinga.

Imigração
Os imigrantes haitianos começaram a chegar ao Brasil em 2010, após o Haiti ter sido atingido por um terremoto, que devastou a capital Porto Príncipe e gerou uma crise humanitária no país mais pobre das Américas, hoje assolado pela miséria e pelas doenças.

Além de conter a entrada ilegal de imigrantes, o governo brasileiro quer acabar com a ação de grupos criminosos que cobram até U$ 5 mil de cada haitiano para fazê-los entrar no Brasil, segundo investigações feitas pelo Ministério da Justiça.  E, segundo Barreto, os valores estão cada vez mais altos.

As investigações da PF apontaram que os ‘coiotes’, como são conhecidos os grupos que promovem a entrada ilegal de imigrantes, são oriundos do México e atuam de forma semelhante na fronteira entre Estados Unidos e México.

Promessas
Alguns coiotes já estariam atuando na capital Porto Príncipe, fazendo promessas de empregos aos haitianos que querem fugir para o Brasil. Até mesmo a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, é usada como argumento pelos traficantes de pessoas, que alegam que a obra deve gerar 25 mil empregos na região.

Mas o excesso de promessas diante da escassez de vagas de emprego é uma das preocupações do governo federal, disse Barreto. “Já estamos vendo pessoas que chegam ao Brasil e não conseguem trabalho. Isso pode gerar uma situação difícil.”

Para tentar mudar esse quadro, o governo brasileiro tentou, sem sucesso, convencer as autoridades equatorianas a estabelecer um controle maior sobre os imigrantes, já que país é a primeira parada dos haitianos que rumam para o Brasil, por não exigir nenhum visto.  De lá, eles seguem em caminhões e carros até o Peru, onde pagam mais U$ 200 para entrar no Brasil.

Agora, o governo brasileiro quer estabelecer um plano de cooperação com Peru e Equador, para tentar controlar a imigração ilegal de haitianos. A PF também solicitou a prisão de líderes das quadrilhas de tráfico de pessoas que atuam no Peru.

Estratégia
Diante do quadro alarmante da imigração ilegal, o governo brasileiro já estuda uma estratégia para controlar a entrada dos haitianos no País, que deve ser definida em conjunto pelo Ministério da Justiça, Itamaraty e Ministério do Trabalho, destacou Barreto.

Segundo ele, o Brasil lidera as forças de paz no Haiti e participa da reconstrução do país caribenho, mas a política de apenas conceder vistos humanitários não vai evitar os problemas que surgem com a imigração ilegal e sempre crescente. “Não podemos defender a geração de uma diáspora de haitianos. Eles são necessários no Haiti para a reconstrução do país”, alegou.

Pressão
Voluntários de instituições da sociedade civil, da igreja católica e missionários evangélicos que estão atuando na recepção dos haitianos no Amazonas tem criticado a falta de medidas do Governo do Estado para oferecer condições dignas de trabalho, habitação e até alimentação aos imigrantes.

Das 19 instituições que assinaram um termo de cooperação para a integração dos haitianos no Brasil, dia 2 de maio deste ano, apenas seis atuam de fato. Em outros estados amazônicos, como o Acre, a situação é um pouco diferente, mas ainda assim, preocupante.

Lá, o Ministério Público Federal (MPF-AC) emitiu uma recomendação no dia 16 de dezembro ao governo federal, para que ele assuma o apoio humanitário aos haitianos refugiados no estado e, assim, evite o início de uma ação judicial.

De acordo com informações do Governo do Estado do Acre, as despesas com aluguel de pousadas, alimentação e assistência à saúde, custeadas pelo poder público, já passam de R$ 1 milhão em 2011.

Árabes
Sobre a imigração ilegal de pessoas dos países árabes no Amazonas, Barreto explicou que o destino desses trabalhadores são Brasília e estados do Sul e Sudeste brasileiro, onde buscam oportunidades de emprego.

“Não sabemos ainda muito bem qual é a rota que fazem até chegar ao Brasil. Mas sabemos que vários deles são atraídos por frigoríficos em Brasília, Minas Gerais e na região Sul, que contratam muçulmanos para orientar o abate de animais e permitir a exportação de carne para países árabes”, explicou Barreto, à reportagem da Folha de São Paulo.

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