Requerentes de asilo deixados no frio

Fonte: Swissinfo.ch

Por Jessica Dacey

Falta alojamento para os requerentes de asilo na Suíça. (Keystone)

Indignação na Suíça com caso de requerentes de asilo abandonados na rua em meio à temperaturas glaciares por falta de abrigo.

Organizações humanitárias e políticos suíços recriminaram duramente os centros de acolho de exilados dos cantões de Basileia, Ticino e Vaud por terem abandonado dezenas de requerentes nas ruas em pleno inverno.

As pessoas foram obrigadas a procurar abrigo em casas particulares, estações de trem ou sob os cuidados do Exército da Salvação. A situação ampliou a questão subjacente de uma escassez nacional de acolhimento para requerentes de asilo.

Os parlamentares exigiram que o governo tome medidas. Entretanto, o Conselho de Refugiados da Suíça disse à swissinfo.ch que o governo deveria encorajar mais os 26 cantões da Suíça para que estes façam a sua parte.

Poucos dias antes do Natal, a televisão suíça informou que um centro de asilo de Basileia (noroeste) tinha sido obrigado a barrar a entrada de 20 pessoas por causa de superlotação. O centro já abrigava 500 pessoas, apesar de ser equipado para apenas 320.

Em outro centro em Vallorbe, no cantão de Vaud (oeste), na fronteira franco-suíça, cerca de 15 homens foram barrados, embora nenhum tenha passado a noite do lado de fora, garantiu o responsável do centro.

“Problemático e traumático”
Os cinco centros de registro da Suíça estão lotados e alguns já não podem aceitar mais recém-chegados. Até o final de novembro havia cerca de 20 mil pedidos de asilo, 5 mil a mais do que em 2010 inteiro.

A Secretaria Federal de Migrações observou que o excesso de demanda atual é uma “situação difícil, especialmente no inverno, quando faz frio”.

O porta-voz da instituição, Michael Glauser, elogiou as medidas “rápidas e sem burocracia” tomadas em Basileia e Ticino para lidar com os problemas mais recentes.

A solução temporária encontrada em Basileia foi um abrigo antibombas aberto especialmente para acolher 100 pessoas. Outros 40 lugares serão criados em Chiasso, no Ticino (sul).

O Conselho de Refugiados da Suíça admite que pode haver a necessidade de utilizar abrigos subterrâneos, mas adverte que poderia ser “problemático” e “traumático” para algumas pessoas, devido à falta de exposição à luz do dia. Segundo o Conselho, as pessoas alojadas em tais abrigos precisam ter oportunidades de trabalho, aconselhamento e não devem passar muito tempo em ambientes fechados.

A organização observa que a transferência de pessoas para longe dos centros de asilo vai contra o artigo 80 da lei nacional de asilo, que estipula que o governo federal deve fornecer ajuda social aos requerentes de asilo.

Adrian Hauser, porta-voz da organização, disse que se houvesse falta de espaços do Estado, o governo deveria garantir instalações de terceiros, fazendo uso de abrigos noturnos, casas ou do Exército da Salvação.

A Suíça está ainda muito longe de cumprir sua meta de fornecimento de 2 mil lugares extras até o final do ano, e com o aumento do número de requerentes de asilo “outras soluções” são necessárias, observou Hauser.

Compromisso estadual
Uma iniciativa nacional está em andamento para resolver o problema. A Ministra da Justiça, Simonetta Sommaruga, tem debatido uma emenda às leis de zoneamento, que podem bloquear a utilização temporária de alguns locais potenciais para a habitação.

Mas, apesar de um acordo de princípio entre autoridades federais e estaduais, Sommaruga admitiu em novembro que a busca por moradia tinha sido mais difícil do que o esperado e apenas um lugar para 50 pessoas havia sido prometido pelos cantões. A questão deve ainda atrair a oposição local, preocupada com um eventual aumento das tensões sociais e da criminalidade.

O Conselho de Refugiados da Suíça disse que havia resistência em alguns estados, como no cantão de Argóvia, com relação à implantação de moradia para os requerentes de asilo e, com isso, o governo federal teria muito trabalho para convencer os cantões a compartilhar a responsabilidade da questão.

“Os cantões têm que participar do problema de forma construtiva, ao invés de ficarem montando cenários de horror que só criam medo e preconceito na população”, disse Hauser.

Jessica Dacey, swissinfo.ch
Adaptação: Fernando Hirschy

Uma resposta para Requerentes de asilo deixados no frio

  1. Nazareth disse:

    Venho recebendo alguns e-mails de uma jovem de Kigali, Ruanda, Central / África Oriental, que pede ajuda para vir estudar aqui no Brasil; menciona que foi ameaçada de morte em sua aldeia por parentes que desejam apoderar-se do dinheiro que o pai lhe deixou depositado em banco por herança e por isso fugiu e encontra-se em um campo de
    refugiados.

    Não sei como obteve meu endereço eletrônico para chegar a mim; pede-me algumas informações e deseja instalar-se em minha casa
    para prosseguir seus estudos. Gostaria de saber a quais autoridades solicitar informações para agir e comprovar a veracidade da história desta jovem e se aqui no Brasil podemos, dentro da lei, auxiliar refugiados na situação dela.

    Aguardo e agradeço sua preciosa atenção.

    Cordialmente,
    Profª Nazareth

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