ACNUR teme aumento exponencial de refugiados sírios na Jordânia

Fonte: ACNUR Brasil

Menino recém-chegado ao campo Za’tari, na Jordânia. A família deixou o distrito de Daara, na Síria, em virtude da violência. (Foto: A. Eurdolian/ ACNUR)

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados afirmou nesta terça feira que o número de sírios que deixaram o país em direção ao campo de Za’atri, na Jordânia, duplicou em comparação com a semana passada.

A porta-voz do ACNUR Melissa Fleming disse a jornalistas em Genebra que “aproximadamente 10 mil pessoas cruzaram a fronteira entre os dias 21 e 27 de agosto, sendo que na semana anterior foram registradas 4.500 pessoas”. Mais de 22 mil sírios estão alojados em Za’atri desde a abertura do campo, em 30 de julho.

“Refugiados relatam que milhares de outras pessoas esperam para deixar Daara, um indício do aumento do fluxo de pessoas saindo da Síria. Aqueles que cruzaram a fronteira recentemente, especialmente na sexta-feira passada, disseram ter visto bombardeios, ataques de morteiros e com armas de fogo”, disse Fleming.

Normalmente os refugiados cruzam a fronteira durante a noite e são levados diretamente para o campo pela Organização Internacional de Migração (OIM) e pelo exército jordaniano. Porém, 1.147 sírios chegaram ao campo na manhã da última segunda-feira, seguidos por outro grupo de 1.400 pessoas. Grande parte dos recém-chegados é de Daara. Eles contam que  tiveram de se deslocar de 5 a 6 vezes dentro da Síria até conseguirem deixar o país.

“Na semana passada houve um aumento do número de menores desacompanhados. Algumas crianças contam que seus pais morreram, não saíram da Síria para cuidar de parentes ou trabalham em outros países”, disse Fleming. “Algumas crianças sem passaportes disseram que os pais as enviaram na frente para depois encontrá-las”, acrescentou a porta-voz.

Em parceria com a Organização de Caridade Jordaniana Hashemita, o ACNUR está tentando atender as necessidades de abrigo, alimentação, água e saúde da população de refugiados no campo de Za’atri, que se expande rapidamente.

Funcionários do ACNUR estão montando mais tendas e buscando meios de ampliar o campo. A terra está sendo coberta com camadas de cascalho fino para ajudar no controle da poeira. Caminhões com cobertores e barracas saíram de um armazém regional em Zarqa para reforçar o estoque do campo, mas o crescimento populacional acelerado tem dificultado que as melhorias acompanhem o ritmo da demanda e beneficiem, pelo menos, quem já vive em Za’atri.

As operações do ACNUR no Líbano voltaram ao normal, com algumas melhorias na situação de segurança. “O centro de registros em Trípoli, no Norte do Líbano, reabriu. A distribuição de ajuda humanitária chegou a ser interrompida, mas com a reabertura da estrada do Norte no fim de semana passado os caminhões estão voltando a entregar os itens de primeira necessidade aos centros do ACNUR em Qobbayat”, completou Flemming.

No Vale do Bekaa, as visitas para registro e distribuição de ajuda foram retomadas. Com as aulas prestes a recomeçar, o ACNUR se apressa para realocar as famílias abrigadas em escolas. Ao norte, o ACNUR conseguiu abrigos alternativos para as famílias refugiadas em escolas. No Líbano, mais de 53 mil pessoas já foram registradas pelo ACNUR ou esperam pelo procedimento.

Na Síria o início do ano letivo no próximo mês também torna urgente resolver a questão de abrigo para os deslocados que estão abrigados em escolas. Autoridades locais finalizam uma lista de possíveis centros coletivos. O ACNUR está pronto para transformar edifícios em abrigos para deslocados.

Em toda a Síria os deslocados estão abrigados em 350 escolas e, segundo estimativas do governo, mais de 1 milhão de pessoas estão em prédios públicos. Para os recém-deslocados, as necessidades urgentes são alimentação, roupas, colchões, cobertores, lençóis e condições de higiene e saneamento.

“Apesar da escalada do conflito na Síria, nossas operações continuam. Linhas telefônicas e serviços de aconselhamento são essenciais para manter contato com deslocados quando os nossos movimentos são prejudicados pelas condições de segurança”, disse a porta-voz do ACNUR.

No vizinho Iraque, a passagem pela fronteira Al-Qaem está fechada desde 16 de agosto, o que tem impedido o fluxo de refugiados sírios, atualmente 15.898 pessoas. O ACNUR está negociando com o governo iraquiano a reabertura da passagem. As fronteiras em Al-Waleed e Rabiya permanecem abertas.

Na Turquia, o número de recém-chegados sírios aumentou significativamente. Em comparação com semanas anteriores, quando o número de chegadas era de 400 a 500 por dia, 5 mil pessoas chegaram ao país nas duas últimas semanas.

“Nas últimas 24 horas, mais de 3 mil sírios cruzaram a fronteira com a Turquia por Kilis, Yayladagi e Reyhanli. Outros 7 mil esperam atravessar nos próximos dias”, afirmou Melissa Fleming. Um novo campo foi aberto em Karkamis, na província de Gaziantel, para onde estão sendo transferidos muitos dos recém-chegados.

Autoridades turcas planejam construir outros 6 campos, com capacidade para acolher até 150 mil refugiados. O ACNUR e seus parceiros prestam apoio técnico e ajuda humanitária. Um carregamento aéreo do ACNUR com tendas chegou a Adana na manhã desta terça-feira. “Aumentar o apoio internacional é essencial para a Turquia garantir a continuidade da assistência diante do crescimento do número de refugiados sírios no país”, concluiu a porta-voz do ACNUR.

 

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