ACNUR teme aumento exponencial de refugiados sírios na Jordânia

agosto 29, 2012

Fonte: ACNUR Brasil

Menino recém-chegado ao campo Za’tari, na Jordânia. A família deixou o distrito de Daara, na Síria, em virtude da violência. (Foto: A. Eurdolian/ ACNUR)

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados afirmou nesta terça feira que o número de sírios que deixaram o país em direção ao campo de Za’atri, na Jordânia, duplicou em comparação com a semana passada.

A porta-voz do ACNUR Melissa Fleming disse a jornalistas em Genebra que “aproximadamente 10 mil pessoas cruzaram a fronteira entre os dias 21 e 27 de agosto, sendo que na semana anterior foram registradas 4.500 pessoas”. Mais de 22 mil sírios estão alojados em Za’atri desde a abertura do campo, em 30 de julho.

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Crise dos refugiados abala relações entre Turquia e Síria

junho 26, 2011

Fonte: Euronews

A revolta na Síria está a inflamar as relações com os, até agora, aliados turcos, num momento em que dezenas de milhares de sírios procuraram refúgio do outro lado da fronteira.

O acolhimento de Ancara foi celebrado hoje na Jordânia por dezenas de manifestantes frente à embaixa turca em Amã.

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ONU alerta para difícil situação de cristãos no Iraque

dezembro 22, 2010

Fonte: Terra Brasil

Por Tariq Saleh, direto de Beirute

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) alertou que milhares de iraquianos cristãos vêm deixando as províncias centrais do Iraque por medo de perseguições. O relatório, divulgado no dia 17 de dezembro, repercutiu entre as comunidades cristãs e a mídia no Oriente Médio, com pedidos de importantes clérigos cristãos e muçulmanos para que o governo iraquiano agisse para garantir a segurança das minorias no país.

De acordo com o relatório, há um êxodo crescente de cristãos para a região norte do Iraque, controlada pelos curdos muçulmanos e relativamente mais segura do que o resto do país.

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Refugiados contribuem para sucesso do filme “Estado de Guerra”

abril 5, 2010

Crianças iraquianas

Cerca de 20 iraquianos que viviam na Jordânia desempenharam papéis de extras nas filmagens; a película conta a história de uma equipe americana especialista em desativar bombas durante a guerra no Iraque.

Refugiados iraquianos ficaram satisfeitos quando o filme “Estado de Guerra” recebeu o prêmio de melhor filme na cerimônia dos Oscars em Hollywood.

Segundo uma nota do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, ACNUR, cerca de 20 iraquianos desempenharam papéis de extras nas filmagens que decorreram na Jordânia.

Bombas
O filme da realizadora Katryn Bigelow conta a história de uma equipe americana especialista em desativar bombas durante a guerra no Iraque.

Para a agência da ONU, além do seu envolvimento direto e pessoal, o “Estado de Guerra” voltou a destacar o sofrimento no seu país natal.

Sete anos após o derrubada do presidente Saddam Hussain, a maior parte dos refugiados iraquianos permanece na Jordânia, à espera que a situação melhore no Iraque.

Os 20 refugiados que participaram no filme passaram quase três semanas com a realizadora e sua equipe em vários locais da Jordânia onde decorreram as filmagens. Eles receberam cerca de US$ 20 por dia.

Perigo
Vários deles disseram ao ACNUR que foi importante terem participado num filme que retrata o perigo que civis e soldados enfrentam no dia-a-dia marcado por ataques suicidas, carros armadilhados e pela explosão de outros engenhos.

A maior parte dos refugiados iraquianos contratados como extras no “Estado de Guerra” já deixou a Jordânia para viver num terceiro país.

Fonte: Rádio ONU


Refugiados são protagonistas de documentário no Brasil

abril 28, 2009
Refugiado palestino é filmado por equipe brasileira de cineastas (Foto: Divulgação)

Refugiado palestino é filmado por equipe brasileira de cineastas (Foto: Divulgação)

Filme narra a chegada e a adaptação ao país de um grupo de 107 palestinos

* Carolina Montenegro

Na tela do cinema, um homem varre areia e pedra no meio do deserto. Outro cria dois gatos na precária barraca onde vive há anos. Uma senhora rega seu jardim e um jovem casal conta sua história de amor, nos braços um recém-nascido. Um jovem sorridente repete palavras em português sentado sobre um caixote.

Todos são refugiados palestinos a caminho do Brasil. Em 48 horas, 107 palestinos desembarcam em São Paulo depois de viverem cinco anos em um campo na Jordânia. É setembro de 2007. A maioria deles nasceu e morava no Iraque, mas com a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, tornaram-se um dos grupos perseguidos por milícias xiitas.

Fronteira entre a Jordânia e o Iraque, perto do campo de refugiados de Ruweished (Foto: Divulgação)

Fronteira entre a Jordânia e o Iraque, perto do campo de refugiados de Ruweished (Foto: Divulgação)

As cenas fazem parte do documentário “A Chave da Casa”, dirigido por Paschoal Samora e Stela Grisotti, que foi divulgado no Festival 14º É Tudo Verdade, de março a abril em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. “Tivemos acesso ao campo de refugiados por apenas dois dias, depois de enfrentar a burocracia do governo da Jordânia e o forte esquema de segurança da ONU”, conta Grisotti.

O imprevisto acabou servindo de mote para a filmagem das últimas 48 horas dos refugiados no campo de Ruweished. Outra curiosidade, a tradutora da ONU que iria ajudar nas entrevistas teve que atender uma emergência. Conclusão: dezenas de hora de filmagem foram feitas às escuras, sem os cineastas saberem o que os palestinos diziam. A tradução das cenas foi feita no Brasil três meses mais tarde.

“Acabamos escolhendo os personagens também ao acaso, por causa disso. Demos muita sorte”, explica a diretora. Foi dela também que partiu a idéia do documentário. “Perguntei para mim mesma como a humanidade ainda permitia que essas pessoas vivessem nesta situação precária, no meio do deserto, por anos”, afirma.

“É absurdo o número de refugiados hoje no mundo, a única coisa que circula livremente é o dinheiro. Queria propor uma reflexão sobre a questão, que é tão grave e tão pouco abordada no Brasil”, explica Grisotti. O tema dos refugiados interessava Stela desde que filmou, em 1997, o documentário “Vale a pena sonhar” sobre Apolônio de Carvalho e a geração de 1968, premiado pela TV Cultura.

“Dessa vez, decidimos dividir o ‘A Chave da Casa’ em dois Atos. No primeiro está a saída da Jordânia e no segundo, a adaptação no Brasil, nove meses depois”, diz Stela. No país, os refugiados foram reassentados no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Campo de refugiados de Ruweished, na Jordânia, a cerca de 50km do Iraque (Foto: Divulgação)

Campo de refugiados de Ruweished, na Jordânia, a cerca de 50km do Iraque (Foto: Divulgação)

O jovem casal comemora a chegada de um novo bebê, um menino que será brasileiro. O palestino que estudava português no deserto ensina árabe para crianças no Brasil. O futuro se delineia, mas as dificuldades de adaptação são grandes. “Dia 15 começo a me preocupar com o que vou comer dia 16 e no dia 20 estou quebrado já”, afirma o jovem de 26 anos que recebe ajuda financeira do Acnur (Agência da ONU para Refugiados) no valor de R$ 350 por mês.

A simpática senhora palestina de cabelos brancos e cara redonda mantém arrumada a nova casa à espera das visitas que na Palestina eram tão freqüentes. “Também não rezo mais desde que cheguei ao Brasil”, revela contando que não sabe qual a direção correta de Meca. “Já perguntei para outras pessoas, mas cada uma diz uma coisa diferente.”

Mas é o encontro de dois dos palestinos vindos ao Brasil, que dá o tom da conclusão do documentário. A esperança e a expectativa do Ato I ganham traços de melancolia e decepção. Um, destinado a Pelotas, o outro, a Mogi das Cruzes, travam uma conversa cheia de ironia e crítica sobre sua condição de perpétuos refugiados.

O primeiro comenta que ao tirar seu CPF no Brasil, por engano, seu local de nascimento foi identificado como Palestina. “Nós lutamos há 60 anos para este lugar existir e eles conseguiram isso primeiro”, conta bem-humorado. Também conversam sobre a saudade dos amigos que ficaram em Bagdá. “Se eles nos vissem achariam que estamos vivendo com luxo aqui no Brasil, mas daria tudo por uma hora em Bagdá”, afirma o outro refugiado.

No trajeto da viagem entre São Paulo e Rio Grande do Sul, ele coloca nos papel suas angústias em forma de um diário. E encerra perguntas sem respostas sobre a identidade de seu povo: “Será este o destino dos palestinos, se perder em várias partes do mundo? Um povo sem pátria, de uma terra roubada. Será que um dia voltarei à Palestina?”

* Repórter Especial Refugees United


Em busca da dignidade perdida

março 27, 2009
Gil Loescher ministra seminário sobre refugiados, no Tribunal Superior do Trabalho em Brasília. (Foto: Antônio Pureza/ASCS-TST)

Gil Loescher ministra seminário sobre refugiados, no Tribunal Superior do Trabalho em Brasília. (Foto: Antônio Pureza/ASCS-TST)

Professor de Oxford discute o refúgio prolongado, em palestra promovida pelo British Council em Brasília

* Carolina Montenegro

“Para Sérgio Vieira de Mello, restaurar a dignidade dos refugiados, de suas comunidades e de suas nações era o maior trabalho humanitário da ONU”. Em uma de suas últimas frases durante palestra nesta quinta-feira no Brasil, o americano Gil Loescher apontou o caminho e o tamanho do desafio para lidar com uma das maiores crises humanitárias mundiais: a dos deslocamentos prolongados.

Professor do Centro de Estudos de Refugiados da Universidade de Oxford, Loescher é um dos maiores especialistas do mundo em direito internacional humanitário e proteção de refugiados. Veio ao Brasil esta semana encerrar um ciclo de seminários em homenagem ao brasileiro Sergio Vieira de Mello, alto-comissário da ONU que morreu em um atentado à bomba no Iraque há cinco anos. Loescher também estava no escritório que foi alvo do ataque e sobreviveu, mas outros 21 funcionários da organização morreram.

Loescher teve as pernas paralisadas pelo incidente, mas manteve a voz ativa. Em Brasília, debateu o refúgio prolongado, tema de seu livro mais recente e fruto de anos de pesquisa na área e visitas a campos de refugiados no mundo todo.

“Cerca de dois terços dos refugiados do mundo vivem em situação de refúgio prolongado, que a ONU define como populações acima de 25 mil pessoas vivendo em exílio por mais de cinco anos”, explicou Loescher.

Segundo o acadêmico, apenas recentemente a questão começou a ganhar espaço na agenda pública. “Só agora a comunidade internacional começa a ver que lidar com a situação do refúgio prolongado é crucial para conter a insegurança e promover a paz duradoura em Estados frágeis, vitimados por constantes conflitos internos”, afirmou.

Loescher conheceu de perto pela primeira vez a realidade das situações de refúgio prolongado quando visitou o campo de Dadaab no Quênia em 2001, onde somalis vivem há anos fugindo da violência, da fome e da seca no país vizinho. “A maior parte daquelas pessoas vivem em situação precária, em um limbo permanente, são gerações de famílias sendo criadas em campos de refugiados”, conta.

Montados em 1991, com capacidade para abrigar 90.000 pessoas, os três campos de refugiados do Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados) em Dadaab comportam hoje cerca de 250.000 somalis. E os números não param de aumentar: em 2008, 65.000 somalis buscaram refúgio no Quênia, contra 19.000 em 2007.

Loescher denunciou também a falta de perspectivas dos refugiados em uma situação como esta e o direito de liberdade de movimento e de trabalharem que lhes é negado pelas próprias circunstâncias da vida no campo de refugiados por anos. Os impactos psicológicos dessa situação permanente se refletem no aumento de casos de violência e suicídios entre refugiados.

“Os refugiados são vistos como um peso, em vez de terem seu potencial aproveitado”, disse. Ele destacou que o envolvimento e o treinamento dos refugiados com trabalhos de infraestrutura e comércio nos campos podem contribuir para fortalecer a economia local e ajudar a mudar a cena política dos países de onde vieram.

Por coincidência, Loescher havia ido ao escritório da ONU em Bagdá conversar com Vieira de Mello, em agosto de 2003, justamente sobre a situação dos refugiados iraquianos que tinham fugido para a Síria e a Jordânia, após a invasão dos Estados Unidos. “Eu tinha feito várias visitas à região e os iraquianos sempre me perguntavam se um dia poderiam voltar em segurança para seu país”, conta o professor americano sobre o conflito que gerou mais uma situação de deslocamento prolongado.

“Muito ainda pode ser feito e precisa ser feito para mudar tudo isso. Sergio passou a maior parte de sua carreira ajudando os refugiados, foi uma pessoa singular. E foi a coragem e a esperança de tantos refugiados que conheci que me deram coragem e esperança para me recuperar após o atentado. Se acreditarmos nos refugiados e nos ideais de Sergio Vieira de Mello não podemos permitir que as situações de deslocamento prolongado continuem”, finalizou Loescher, sob aplausos.

* Repórter Especial Refugees United