O arauto do Congo

julho 3, 2010

Fonte: O Estado de S.Paulo

Mônica Manir

Ele veio pedir ajuda para as mulheres que gritam em silêncio contra o estupro

Por dia, dr. Mukwege recebe uma média de dez vítimas de violência sexual (Foto: Paula Allen/ AE)

A jornada de Denis Mukwege Mukengere começa às 7h15 e termina quando acaba. Como seu ofício é cuidar de mulheres que sofrem violência sexual na República Democrática do Congo, está fadado a horas extras – no próprio território e fora dele. Nessa semana, o Anjo de Bukavu veio ao País tentar explicar, com um francês escorreito e um inglês destemido, que a capital mundial do estupro precisa da nossa ajuda. “Maybe Brazil is our chance”, disse, com as escleróticas em fogo. Tinha dormido pouco. Estava fora de fuso depois de 18 horas de voo atribulado a partir de Bruxelas rumo a Porto Alegre, onde atendia ao chamado do Fronteiras do Pensamento, projeto que organiza conferências com nomes de projeção. A sua começaria dali a duas horas, dava para ver Brasil e Chile sossegado. Mas ele não tinha fôlego a perder com a jabulani. Sua África é outra.

Ela fica em Bukavu, capital da província de Sud-Kivu, na fronteira com Ruanda. A população urbana gira em torno de 240 mil pessoas. A rural chega às 250 mil. É área de observação internacional desde quando os hutus ali se refugiaram após o genocídio em Ruanda. O refúgio virou foco de resistência contra os tutsis, que conquistaram o poder. Naquela época (1996), a República Democrática do Congo era Zaire e, à revelia da ONU, o país acertou com Ruanda o retorno de 800 mil desses refugiados à terra natal. Em 1997, cerca de 200 deles morreram sufocados num trem apinhado que os remetia nessa direção. Para trás ainda ficaram rebeldes hutus, que hoje barbarizam a região. Fazem parte de milícias armadas até as canelas que disputam entre si o controle das minas de coltan – mistura de colúmbio com tantalite da qual se obtém o tântalo, exímio condutor de eletricidade presente em mísseis, satélites, laptops, playstations e no celular do seu bolso. O coltan de Kivu possui tântalo mais do que qualquer outro. É conhecido como ouro cinzento e cobiçadíssimo fronteira afora. Continue lendo »

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LRA cria condições para uma crise humanitária

julho 1, 2010

Fonte: Angola Press

Bandeira da República Centro- Africana

A rebelião ugandesa do LRA cria as condições para uma crise humanitária na República Centro Africana (RCA), onde efetua desde 2008 ataques e raptos que causaram a deslocamento de cerca de 15.000 centro-africanos, afirma uma ONG num relatório chegado quarta-feira à AFP.

“Os civis do leste centro-africano sofrem muito devido à presença do LRA”, o Exército de Resistência do Senhor, cuja primeira incursão no país remonta de 25 de Fevereiro de 2008, afirma a ONG americana Enough no seu relatório intitulado “Sobre os passos de Kony: A indescritível tragédia em curso na República Centro Africana”, publicado na semana passada e recebido em Libreville.

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Ex-craque africano torna-se refugiado na África do Sul

junho 6, 2010

Fonte: BBC Brasil

Andrew Harding
Correspondente da BBC News na África

Seu recorde de gols na Copa da África perdura até hoje

Um grande herói do futebol africano na década de 1970 foi pego pelo turbilhão que se abateu sobre a República Democrática do Congo, antigo Zaire, e tornou-se um refugiado na África do Sul.

Em 1974, Ndaye Mulamba era a maior promessa do Zaire, primeiro país da África subsaariana que se classificou para uma Copa do Mundo, no Mundial da Alemanha.

Naquele mesmo ano, no Egito, ele havia instituído o recorde que perdura até hoje ao marcar nove gols na Copa da África.

Mas as coisas começaram a dar errado para ele em meados da década de 90 quando o Zaire foi engolfado por uma guerra civil e mudou de nome.

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Situação de pigmeus no leste da RD Congo é sombria

maio 21, 2010

Fonte: Rádio ONU

Segundo o ACNUR, cerca de 10 mil pigmeus vivem nas dezenas de campos espalhados pela volátil região, após fugirem a conflitos nas suas áreas de origem; agência diz que eles são discriminados pelos outros grupos étnicos na região.

Foto: ACNUR

Entre as dezenas de milhares de pessoas deslocadas que vivem em acampamentos na província de Kivu Norte, a leste da República Democrática do Congo, os pigmeus são particularmente vulneráveis e enfrentam um futuro sombrio.

A afirmação foi feita pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, ACNUR, numa nota emitida esta sexta-feira.

Região Volátil
Segundo a agência da ONU, cerca de 10 mil pigmeus vivem nas dezenas de campos espalhados pela volátil região, após fugirem a conflitos nas suas áreas de origem.

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ACNUR recupera acesso a 35.000 refugiados na República do Congo

maio 5, 2010

O rio Obangui, fronteira natural entre a República do Congo e a República Democrática do Congo, joga um papel fundamental na vida dos refugiados que saíram da província de Equateur, no noroeste da RDC. (Foto: F.Lejeune-Kaba/ ACNUR)

 

Nos últimos dias as equipes do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados recuperaram o acesso a cerca de 35 mil refugiados congoleses dispersos pela República do Congo ao longo do rio Oubangui, entre Doungou e Liranga, disse hoje em Genebra o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic. Esse grupo faz parte dos 114 mil refugiados que fugiram dos conflitos gerados por disputas entre pescadores e fazendeiros na província de Equateur, no noroeste da República Democrática do Congo (RDC).

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Jovem congolês tem vida dura no Quênia, mas mantém seus sonhos

abril 30, 2010

Civis congoleses deixam suas casas após sofrer ataques no leste do país. A violência continua a deslocar pessoas na República Democrática do Congo. (Foto: D. Benthu Nthengwe/ ACNUR)

O refugiado congolês Jonh*, de 15 anos, não pede muito. O jovem diz que tudo o que quer é um colchão e a chance de aprender a falar inglês, embora ele sempre pense nos seus irmãos e nos seus pais que foram mortos ano passado no Congo, na volátil província de North Kivu.

Há muitos desafios para este menor desacompanhado, mas pelo menos ele tem um teto sobre sua cabeça graças a um encontro fortuito com uma simpática colega refugiada da República Democrática do Congo (RDC). Jeanette vem da mesma tribo e mora com sua família de sete pessoas na favela de Soweto, em Nairóbi (capital do Quênia).

Com a ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), John também pediu refúgio no Quênia. Ele é um dos cerca de 50 mil refugiados registrados e requerentes de asilo em Nairóbi, incluindo 951 menores desacompanhados, que escaparam dos conflitos em North Kivu. Acredita-se que há muito mais que não se registraram junto às autoridades.

“A vida no Quênia é difícil. Não há emprego, nem educação e nem amigos”, suspirou John, que está enfrentando os problemas que milhões de outros refugiados vivem em ambientes urbanos. Mais da metade dos 10,5 milhões de refugiados sob a proteção do ACNUR vive em vilarejos e cidades, sendo cada vez mais predominantemente mulheres, crianças e idosos com necessidades especiais.

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RDC apela aos refugiados para regressarem ao país

março 16, 2010

Uma fonte próxima do presidente da República Democrática do Congo (RDC) convidou os 115 mil compatriotas refugiados no norte do vizinho Congo-Brazzaville a regressarem ao seu país, numa declaração difundida hoje, terça-feira, pela rádio pública congolesa.

Durante uma visita ao Congo, Louise Mayima Kasendé, diretora adjunta do gabinete do presidente, Joseph Kabila, apelou aos seus compatriotas que tinham fugido dos confrontos inter-étnicos na província do Equador (nordeste da RDC) para regressarem para casa.

“Não resta outra solução aos refugiados do que regressarem ao país porque a maior parte das zonas que abandonaram estão agora seguras”, declarou Mayima Kasendé.

Em 14 de março de 2009, ela havia participado nas manifestações comemorativas da morte de Edith Lucie Bongo, filha primogénita do presidente Sassou Nguesso e esposa do antigo presidente gabonês, Omar Bongo Ondimba, que faleceu em junho de 2009.

Segundo agências humanitárias, desde fim de outubro de 2009, pelo menos 115 mil refugiados da RDC atravessaram o rio Ubangui, fronteira natural entre os dois países, e abrigaram-se em várias zonas de Likouala.

As autoridades de região de Likouala fazem alusão ao estado de grande insegurança, provocada pela forte presença de militares e dos insurgentes nas suas zonas de origem.

A 12 de março de 2010, as Nações Unidas colocaram no lugar uma ponte aérea entre Ponta-Negra (sul) e Impfondo, capital da Likouala, para encaminhar uma ajuda alimentar aos refugiados.

Fonte: Angola Press